O que é Burnout?

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O termo Burnout passou a ter protagonismo no mundo laboral na medida em que veio a explicitar grande parte das consequências do impacto das atividades ocupacionais no trabalhador e deste na organização. Os estudos sobre o Burnout começaram a se multiplicar a partir dos artigos de Freundenberger (1974, 1975), apesar de não ter sido ele o primeiro a falar e se utilizar deste termo para se referir ao esgotamento físico e mental, bem como aos transtornos comportamentais observados em profissionais da área da saúde.

O Burnout vai além do estresse. Está associado mais especificamente ao mundo laboral e ocorre pela cronificação de um processo de estresse (como uma doença crônica). Para fazer frente à sintomatologia física e psicológica experimentada, o profissional acaba por desenvolver o que foi denominado por Maslach & Jackson (1981) de despersonalização, isto é, passa a ter o contato frio e impessoal, até mesmo cínico e irônico, com as pessoas receptoras de seu trabalho, como clientes, pacientes, alunos, enfim, os usuários de seus serviços. Algumas investigações mais recentres vêm demonstrando que, até mesmo em nível fisiológico, há diferenças que justificam a manutenção de dois conceitos distintos: estresse e Burnout.

Alguns autores preferem denominar Burnout como estresse ocupacional. Desta forma, distinguem-no do estresse comum e apontam o caráter de trabalho envolvido nesta síndrome. Outros vão mais além e, indicando que é típica de algumas profissões, justamente naquelas em que existe o contato mais próximo com as pessoas que recebem o trabalho que realizam, denominam Burnout de estresse ocupacional assistencial.

Conhecer a síndrome e pôr em prática estratégias de prevenção e intervenção faz-se emprescindível, sobretudo no mundo atual, onde as exigências por produtividade, qualidade, lucratividade, associadas à recessão, vêm gerando maior competitividade e, consequentemente, problemas psicossociais. Sabe-se que inúmeras baixas trabalhistas, bem como os altos índices de absenteísmo e rotatividade nas empresas, dão-se principalmente por causa do estresse e Burnout (Moreno-Jimènez, 2000; Schaufeli, 1999).

BENEVIDES-PEREIRA, A. M. T.; BURNOUT: QUANDO O TRABALHO AMEAÇA O BEM-ESTAR DO TRABALHADOR. CASA DO PSICÓLOGO, SÃO PAULO, 2002.

Publicado por marianamendesdesa

Médica de atuação no cuidado da saúde mental e neurociência focada em profissionais que sofrem de Fadiga por Compaixão. Desde criança dizia que, para alguém ser um bom profissional deveria amar o que faz. Mais tarde, já sendo médica, percebeu como as pessoas que servem aos que sofrem podem ver suas atividades profissionais interferirem positiva ou negativamente em sua qualidade de vida, dependendo da forma como lidam com os desafios diários. Decidiu então trabalhar cuidando dos que cuidam em diversos aspectos da vida humana. Tem como paixão viajar e conhecer diferentes culturas ao lado do seu marido. Graduação em Medicina pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), especialização em Psiquiatria pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pelo Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (IAMSPE), e pós-graduação em Neurociência pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). CRM/SP 205.318

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