A Fragilidade Humana

Para entender o motivo pelo qual esse site e minha página no facebook ficaram sem novos posts nos últimos meses, leia o texto a seguir e aproveite para conhecer melhor a minha história:

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“Nosso corpo é frágil, mas nem sempre percebemos essa fragilidade. Comigo, foi a partir do diagnóstico de múltiplos cavernomas que notei: não sou perfeita, e sim um ser humano que tem muito a aprender!

Meu nome é Mariana, tenho 30 anos e não é fácil, enquanto aprendo a ser médica, também aprender como ser paciente. Aos 21 anos fui diagnosticada com cavernomatose múltipla por investigação familiar. Até então, nenhum sintoma, nenhum sinal, nenhum incômodo.

Porém, um ano depois, ainda no oitavo período do curso de Medicina (exatamente no tempo em que eu estudava Neurologia), sofri o primeiro AVC hemorrágico devido ao maior dos meus nove cavernomas, localizados no lobo temporal esquerdo. Estava no exterior com meus pais, e ali tudo aconteceu: ter a primeira convulsão, ficar em coma por uma semana e cada vez menor ser a esperança dada à minha família sobre as prováveis sequelas que eu apresentaria, se voltasse do coma.

Milhares oraram, e o Deus que é bom não importam as circunstâncias permitiu que eu acordasse do coma sem sequela. Muito quanto a esse episódio poderia ainda relatar, mas vou apenas citar que o que permaneceu foi epilepsia de difícil controle.

Muitos remédios, cada vez maiores dosagens e efeitos colaterais. E mesmo sendo medicada impedindo a convulsão generalizada nunca foi fácil quando, já formada, apresentava a “aura” e precisava pedir licença ao paciente, sair do consultório e solicitar que algum colega assumisse meu papel. Afinal, outra convulsão estava por vir.

Mais tarde, me especializando em Psiquiatria, foi quando senti que o tempo da delicada cirurgia para retirada do cavernoma em questão havia chegado. Crises sem controle, aumento da lesão, indicação cirúrgica dessa vez universal, e o mais importante: a paz que excede todo entendimento (Filipenses 4:7).

Então, há pouco mais de 1 ano fui submetida a uma cirurgia de 15 horas de duração em que estando acordada eu falava que Deus estava ali na sala de cirurgia. Eu precisava viver o fato de que Ele é o médico dos Médicos e me operou. E por fim, eu precisava aprender: longe estou da perfeição.

Mas ainda não havia aprendido tudo. Logo após o Natal do ano passado, sofri outro AVC a partir do cavernoma que eu mais temia, localizado na ponte. Dessa vez eu não fiquei desacordada, mas quando ouvi da colega que me atendeu no pronto-socorro qual era a dimensão da alteração encontrada na tomografia eu prontamente olhei pro meu marido e disse: o cavernoma da ponte sangrou.

E foi assim que se repetiu UTI. Com ela, dormência em toda parte direita do meu corpo, visão dupla, tonteira e uma impressionante insônia. Sim, fui aos poucos relembrada: ah, Mariana… você é um ser humano!

Então eu, que decidi também escrever um pouco da minha experiência, vivi o que na faculdade aprendi. Os sintomas sobre os quais já tinha lido para provas agora eu apresentava. Meu corpo foi o mais didático livro de Neurologia que poderia ler. Hoje sorrio, porque a imperfeita Mariana mais uma vez voltou a ser como antes era fisicamente, mas com lições aprendidas.

Sorrio porque sinto todos os meus dedos, minhas pernas, meus lábios. Sorrio porque não há mais dupla visão ou tontura. Sorrio porque voltei a dormir. Sorrio porque a vontade de Deus foi permitir que eu “sentisse na carne” o que tantos pacientes sofrem – faculdade nenhuma me ensinaria isso. E por fim, sorrio porque estando plenamente recuperada, pude hoje retornar às minhas atividades.

Agradeço ao Médico dos médicos pela existência da Aliança Cavernosa e todos os seus colaboradores, pela vida de cada profissional da saúde que já cuidou/cuida de mim, além de outras pessoas que aqui compartilham e com quem posso aprender. Mesmo que não nos conheçamos, vocês fazem parte da minha história.

E por fim, viva a vida! Ela é imperfeita, mas continua linda quando confiamos em seu Criador.”

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